A notificação chega e fica por abrir. Há uma conta para consultar, uma decisão para tomar ou uma conversa que continua a ser adiada. O assunto ocupa espaço, mesmo quando não estamos a tratar dele. Para algumas pessoas, é assim que as preocupações financeiras entram no quotidiano.
Neste Outubro Verde, a SafeBrok aborda o stress financeiro para ajudar a compreender esta realidade, reconhecer comportamentos que merecem atenção e explorar o contributo da literacia e do planeamento financeiro.
O que é o stress financeiro?
O stress financeiro é a tensão associada à perceção de que os recursos disponíveis podem ser insuficientes para responder às necessidades e aos compromissos financeiros.
Uma despesa inesperada pode gerar uma preocupação pontual. A pressão pode tornar-se persistente quando existem dúvidas recorrentes sobre o pagamento das contas, encargos difíceis de suportar ou receio de perder rendimento.
Esta experiência depende do contexto de cada pessoa, incluindo a estabilidade dos rendimentos, as responsabilidades familiares e a capacidade de enfrentar imprevistos. Por si só, não constitui um diagnóstico clínico.
O que os dados nos dizem
No estudo O Bem-Estar Financeiro em Portugal: Uma Perspetiva Comportamental, 50% dos inquiridos referiram sentir-se ansiosos quando pensavam nas suas finanças pessoais, adicionalmente, 18% referiram preferir não pensar no estado das suas finanças.
Desenvolvido pelo Doutor Finanças e pela Laicos, com chancela científica da NOVA IMS e da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, o estudo recolheu respostas de 800 participantes em janeiro de 2024.
É um resultado sobre a experiência relatada pelos participantes. Não corresponde a um diagnóstico clínico nem significa que todas as pessoas vivam a mesma dificuldade. Ajuda, porém, a dar visibilidade a um tema que merece atenção.
A relação entre o dinheiro e o bem estar
As preocupações financeiras podem afetar o bem-estar. Por sua vez, problemas de saúde mental podem tornar mais difícil gerir dinheiro e lidar com tarefas financeiras. A organização de saúde mental Mind descreve esta relação como um ciclo que pode funcionar nos dois sentidos.
Quando as preocupações se acumulam, algumas pessoas podem sentir menor disponibilidade para comparar alternativas e ponderar consequências. A necessidade de resolver uma despesa imediata pode concentrar a atenção no curto prazo, deixando o planeamento futuro em segundo plano.
Também podem surgir comportamentos de evitamento, como adiar a consulta do saldo, deixar faturas por abrir ou evitar conversas sobre dinheiro. Em determinadas situações, o alívio imediato associado ao adiamento pode prevalecer sobre a necessidade de esclarecer o problema.
Reconhecer esta possibilidade ajuda a evitar julgamentos. Uma tarefa adiada não revela, por si só, desinteresse. Uma dificuldade financeira também não permite concluir que alguém tomou más decisões. As circunstâncias e os recursos disponíveis precisam de fazer parte da análise.
Porque é que evitar o assunto pode aumentar a pressão?
O evitamento pode proporcionar algum alívio momentâneo, mas mantém a questão financeira por resolver.
Por exemplo, adiar a abertura de uma comunicação por receio de encontrar um valor difícil de pagar pode reduzir o tempo disponível para verificar a cobrança, esclarecer dúvidas ou conhecer alternativas antes do vencimento.
Pode, assim, formar-se um ciclo: a preocupação favorece o adiamento e o adiamento contribui para aumentar a incerteza. Este padrão não ocorre em todas as situações, mas reconhecê-lo pode ajudar a perceber quando é necessário procurar informação ou apoio.
Quando procurar apoio?
O apoio adequado depende da natureza da dificuldade e pode envolver diferentes áreas:
- Orientação financeira especializada: ajuda a compreender encargos, avaliar condições e organizar prioridades.
- Apoio social: pode ser necessário quando estão em causa necessidades essenciais. Os serviços de ação social locais e a Segurança Social podem orientar sobre as respostas disponíveis.
- Acompanhamento psicológico ou médico: deve ser considerado quando a preocupação persiste ou interfere com o descanso, as relações, o trabalho ou outras atividades quotidianas.
Estas respostas podem complementar-se. A análise financeira e o acompanhamento de saúde têm funções distintas, que devem ser respeitadas.
O contributo da literacia e do planeamento financeiro
A literacia financeira permite compreender conceitos, interpretar condições e formular perguntas relevantes. O planeamento adapta esse conhecimento aos recursos, compromissos e objetivos de cada pessoa.
Um diagnóstico financeiro permite identificar prioridades, enquanto o acompanhamento ajuda a ajustar o plano às mudanças no rendimento, nas responsabilidades familiares ou nas necessidades de proteção.
Na SafeBrok, esta perspetiva traduz-se numa visão integrada da vida financeira, considerando a relação entre as decisões atuais e os objetivos de futuro.
Se pretende aprofundar esta análise, pode realizar um check-up financeiro gratuito com a SafeBrok e obter uma visão mais clara dos diferentes elementos do seu planeamento.
Doutor Finanças e Laicos (2024).O Bem-Estar Financeiro em Portugal: Uma Perspetiva Comportamental.
Doutor Finanças (14 de junho de 2024).Metade dos portugueses sentem-se ansiosos com as suas finanças pessoais.
Diário de Notícias (10 de outubro de 2026).“Metade dos portugueses experiencia stress devido à sua condição financeira”. Entrevista a Sérgio Cardoso.
Mind. Money and mental health. Informação sobre a relação entre preocupações financeiras e saúde mental.