As férias são uma despesa importante para muitas famílias, mas também uma das mais fáceis de subestimar. Ao valor da viagem e do alojamento juntam-se refeições, transportes, atividades, seguros e pequenos gastos diários que podem aumentar significativamente o custo final.
Os dados mostram, no entanto, uma maior preocupação dos portugueses no que diz respeito ao planeamento deste período. Segundo o estudo “Férias 2026” do Observador Cetelem, o orçamento médio previsto é de 861€, abaixo dos 967€ registados no verão anterior. Cerca de 57% dos portugueses definiram um limite inferior a 1.000 euros e 29% admitem reduzir despesas.
A maioria pretende pagar as férias com recursos próprios: 54% utiliza o salário ou o subsídio de férias e 49% recorre a poupanças acumuladas. Ainda assim, 16% admite utilizar soluções de crédito, sobretudo o cartão de crédito.
A diferença entre estas opções é importante e deve ser tida em conta: poupar antes permite regressar das férias sem uma nova obrigação financeira, enquanto recorrer ao crédito significa utilizar rendimento futuro para pagar uma experiência que já terminou.
Quanto custa pagar as férias depois?
No terceiro trimestre de 2026, o limite máximo da TAEG é de 15,3% na categoria de outros créditos pessoais e de 18,5% nos cartões de crédito, linhas de crédito, contas correntes bancárias e facilidades de descoberto. Estes valores correspondem aos limites máximos aplicáveis aos novos contratos e não às taxas praticadas por todas as instituições. Ainda assim, evidenciam a importância de avaliar o custo total antes de recorrer ao crédito para financiar despesas de consumo.
A título meramente ilustrativo, se um financiamento de 1.600 euros, reembolsado em 12 meses, tivesse um custo efetivo anual equivalente a 15,3%, a prestação mensal rondaria os 144 euros e o montante total pago seria de aproximadamente 1.727 euros. Na prática, as férias custariam cerca de 127 euros adicionais.
O custo efetivo dependerá sempre das condições concretas do contrato. Por isso, a decisão não deve basear-se apenas no valor da prestação mensal.
Para comparar propostas, é essencial analisar dois indicadores:
- A TAEG — Taxa Anual de Encargos Efetiva Global: traduz, em percentagem anual, o custo total do crédito, incluindo juros, comissões, impostos e outros encargos obrigatórios;
- O MTIC — Montante Total Imputado ao Consumidor: corresponde ao valor global que será pago durante o contrato, somando o capital financiado ao custo total do crédito.
Em conjunto, estes indicadores permitem perceber não apenas quanto será pago por mês, mas quanto custará realmente o financiamento.
Poupar antes ou pagar depois?
Por sua vez, para reunir os mesmos 1.600€ ao longo de dez meses, seria necessário poupar 160 euros por mês. Com 12 meses de antecedência, o esforço desceria para cerca de 133 euros mensais.
A diferença para uma prestação pode não parecer elevada, mas as consequências são distintas.
Quem poupa antecipadamente evita juros, mantém liberdade para ajustar a viagem e regressa sem uma nova dívida. Quem financia compromete parte dos rendimentos dos meses seguintes, possivelmente em simultâneo com prestações da casa, do automóvel ou de outros créditos.
Além disso, a poupança dá margem de decisão. Caso surja um imprevisto antes da viagem, o dinheiro pode ser redirecionado ou o plano pode ser ajustado. Depois de contratado um crédito, a obrigação permanece.
4 decisões que ajudam a evitar o crédito
- Definir primeiro o orçamento e só depois escolher o destino. O valor disponível deve ser calculado sem utilizar a reserva de emergência e sem comprometer despesas essenciais dos meses seguintes.
- Criar uma poupança específica para as férias. Divida o custo estimado pelo número de meses disponíveis e automatize a transferência no início de cada mês.
- Antecipar o regresso. Setembro pode trazer despesas escolares, seguros, manutenção automóvel ou outros pagamentos. Gastar toda a liquidez durante o verão pode obrigar a recorrer ao crédito mais tarde.
- Adaptar a viagem antes de financiar a diferença. Reduzir o número de noites, viajar fora da época alta, escolher um destino mais próximo ou procurar alojamento com cozinha pode tornar a viagem mais compatível com o seu orçamento.
Esta preocupação torna-se ainda mais relevante quando, em 2025, 27,5% da população da União Europeia com 16 ou mais anos não tinha capacidade financeira para pagar uma semana de férias fora de casa, o que demonstra que as férias continuam a representar um esforço financeiro significativo para mais de 1 em cada 4 europeus.
Aproveitar o presente sem comprometer o futuro
Como conclusão, todos nós concordamos que as férias têm valor: permitem descansar, criar memórias e passar mais tempo com quem. E nesse sentido, a educação financeira não pretende eliminar estas experiências, mas sim garantir que são compatíveis com a realidade de cada pessoa.
Planear com antecedência, criar uma poupança específica e conhecer o custo total da viagem permite-nos aproveitar o verão sem levar a conta para os meses seguintes.
Na SafeBrok, acreditamos que um bom planeamento financeiro deve ajudar a equilibrar os objetivos do presente, sempre com a segurança do futuro. Porque umas férias verdadeiramente tranquilas não deixam prestações para trás.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e educativo. Os exemplos apresentados são simulações simplificadas e não representam uma proposta de crédito ou uma análise financeira personalizada.